no retrato sou eu quem idealiza o outro, escolho o seu melhor ângulo, a sua melhor pose e determino o cenário onde ele será representado; sou projetada inteiramente nesse outro. construo sua identidade para mim. porém, quando determino, que o que vai ser feito é um auto-retrato, o outro se responsabiliza imediatamente pela constituição da sua própria imagem, é ele quem vai se apresentar de forma idealizada, é a sua auto-representação que estará em jogo. a pose será construída por ele. o fato de ser clicado por mim, por outra pessoa ou pelo disparador automático da máquina fotográfica, não muda essa condição de ser uma auto-imagem.